Brasil em Chamas! Por que não devemos fazer fogueira na trilha e adotar uma postura antifogo

Atualizado: Jul 28


A descoberta e o domínio do fogo foi um dos maiores feitos da humanidade. Há milhares de anos, nossos ancestrais mais primitivos utilizam o fogo como uma ferramenta para caça, defesa, e proteção contra o inverno gelado. Hoje o que o fogo causa (na natureza) é destruição. Quantas notícias saí por aí de incêndios em áreas naturais? Um bioma aqui, uma serra ali, mais um parque nacional acolá, vai parecendo que são casos isolados. Mas analisando o cenário com um todo, vemos que nossas florestas e trilhas estão virando carvão. O aumento constante no número de queimadas e o recente incêndio na Serra da Mantiqueira são a prova disso.

Foto: Gabriel Tarso.


Panorama: desmatamento e fogo no Brasil

Estamos vivendo uma das épocas de maior tensão ecológica em nosso país. Com desmatamento aceleradíssimo. Um estudo do Map Biomas revela que perdemos só ano passado, somando todos os biomas brasileiros, cerca de 1,2 milhão de hectares de florestas – são mais de 3.200 campos de futebol indo abaixo todo dia.

Como não bastasse o fogo contribui ainda mais para esse desastre - segundo dados do INPE, só entre janeiro e junho deste ano foram registrados 10.395 focos de incêndio em todo o país.

Talvez uma visão mais sistêmica, ainda que bem geral, nos ajude a entender a real dimensão do problema. Pois, só por estes dados percebemos que é um problema grande, sistemático, e que devemos nos preocupar. E muito!

Exemplos de casos de incêndio recentes – em parques e locais de trilhas

Agora vamos focar, especificamente, em nosso nicho – ecoturismo, trilha, camping, montanhismo etc. São vários os locais que costumamos caminhar que já sofreram incêndio. Só para relembrar alguns dos locais que já pegaram fogo:

Pico do Jaraguá – o ponto mais alto de São Paulo já sofreu alguns incêndios. Quem não se lembra do que ocorreu no ano passado?

Serra do Mursa – aqui já é quase de praxe. O último incêndio que alastrou na região até então foi em setembro de 2019.

Parque do Juquery – por ser cerrado, já é naturalmente uma área com grande risco de incêndio. Um dos últimos incêndios consumiu 10% da vegetação do parque.

Chapada dos Veadeiros – até mesmo um dos lugares mais visitados no Brasil sofre com as queimadas. Em 2019 um incêndio destruí 500 hectares do parque.

Pico dos Marins – o gigantesco Pico do Marins já foi alvo de incêndios. Em 2016, um incêndio foi iniciado por um sinalizador. O fogo colocou até mesmo a vida de alguns turistas que estavam fazendo trilha local no momento do incêndio em risco.

Floresta Nacional da Tijuca – este ano, um incêndio consumiram 30 campos de futebol do parque. A causa provável do incêndio foi um balão.

Picos do Marins (2020) + Serra Fina – este um bem atual. Um incêndio que começou no Pico dos Marins rapidamente se estendeu até a Serra Fina, consumindo cerca de 600 hectares de nossa preciosa Serra da Mantiqueira.

Muitos deles (para não dizer todos) foram causados por fatores humanos, balão, sinalizador, e fogueira feita por algum turista descuidado. Já presenciei alguns momentos em que alguns campistas saíram e não apagaram completamente a fogueira. Aliás, o próprio ato de acender fogueira é grande um descuido! Saiba o porquê.

Para que fogueira se existe equipamentos?

Talvez os filmes nos induz a crer que acampamento é sinônimo de fogueira no final da tarde. E talvez por isso muitos tendem e teimam em acender uma fogueirinha na trilha. Mas, qual utilidade do fogo na trilha? Tecnicamente nenhuma. Na prática o fogo é mais uma questão de ego do que qualquer outro motivo. Vejamos como podemos e devemos substituir o fogo por itens, acessórios e equipamentos adequados ao esporte.

1 - Cozinhar sim, neste caso é impossível não usar fogo, mas ter alguma noção sobre “cozinha outdoor” é importante para não necessitar de fogueira: para isso existe vários modelos de fogareiro que com um cartucho de gás resolve o problema. De tamanhos muitos pequenos até para uso familiar.

2 - Proteger do frio/aquecer o frio é uma preocupação real que devemos ter, muitos locais venta muito e chegam a ter até mesmo temperaturas negativas. Hoje em dia a tecnologia evolui muito e foi incorporada também às roupas, fornecendo proteção contra frio, vento, nosso próprio suor, e temperaturas mais baixas. O ideal é usar o sistema de vestimenta em camadas: segunda pele, fleece, corta vento, por exemplo. Entenda melhor aqui. Além de luvas, touca, meios. Uma calça e camiseta térmica na hora de dormir também é muito bom para dormir quentinho.

3 - Iluminar para isso as lanternas são mais eficientes e seguras. São inclusive portáveis e mais práticas!

4 - Proteger/Defender medo do escuro, medo de animais? Este primeiro é mais um fator puramente psicológico e se resolveria com lanterna. Este segundo é mais fácil os animais terem medo de nós, pois estão em franca extinção, e é extremamente raro ver um animal topo de cadeia vagando por aí.

5 - Incinerar lixo sim, quem gente que faz isso. São dois erros, uso do fogo e o “sumiço” com o lixo. Todo lixo deve ser trazido de volta.

6 – Sinalização – aqui a fogueira serviria para mandar um sinal de fumaça – chamar atenção de uma aeronave, um navio, um barco, enfim, tentar mandar um SOS. Ou ainda seria usada para ajudar a equipe de resgate a te achar mais facilmente. Porém, vale dizer que esta é uma técnica que também exige preparo e só deve ser usada em caso de extrema urgência. Uma alternativa a fogueira são os sinalizadores de emergência. Existem muitos tipos hoje no mercado e para diferentes casos.

Agradecendo aos voluntários e brigadistas

O fogo não se apaga sozinho (se não levaria dias e causaria estragos ainda maiores). Os brigadistas e equipe de voluntários que se mobilizaram para ajudar os brigadistas são os primeiros a combater o fogo. Sem eles, certamente o estrago seria sem precedentes.

Conclusão

Como visto, perdemos todos os anos área imensas de floresta, inclusive para milhares de incêndios que ocorrem muito frequentemente no Brasil. Em relação ao ecoturismo esse problema é mais comum do que geralmente se imagina. Os dados alarmantes provam isso. Os exemplos são se limitam apenas aos citados aqui. Muitos outros casos que sequer dever ser noticiados. Diversas são as causas, sem dúvidas ocorrem principalmente pela ação humana. Para proteger nossa vegetação só mesmo com a prevenção. Em escala maior – de Brasil, é uma questão que envolve questões políticas. Para evitar que o fogo consuma nossos ambientais naturais, os lugares que tanto amamos e entramos em contato é preciso prevenir também. O papel das agências, dos guias e dos ecoturistas é fundamental. Devemos adotar sempre uma conduta antifogo, pois é perigoso, desastroso e desnecessário.


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